Galápagos / by Ana Catarina

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Conhecer Galápagos era um sonho antigo que, sinceramente, achei que nunca ia se concretizar! Ver de perto criaturas exóticas e únicas, tentar imaginar (muito de longe) o processo de Darwin em relação à teoria da evolução e todas as percepções magníficas que ele teve! Eis que esse dia chegou, graças a uma promo da Latam, de 22 de fevereiro a 04 de março! Aqui vai um relato de 08 dias nesse paraíso, com fotos eum video no final resumindo essa experiência! <3

A viagem começa com uma pequena maratona típica das promoções: Rio – São Paulo – Lima – Quito (com conexão em Guayaquil) – Galápagos. O aeroporto do arquipélago se chama Baltra, uma ilhazinha ao norte e à parte da ilha principal de Santa Cruz. Lá tudo é bem controlado, principalmente o ingresso de qualquer alimento que possa prejudicar a fauna/ flora locais, então, tudo é inspecionado. No aeroporto de Quito e Guayaquil, há uma inspeção obrigação e pagamento de uma taxa de 20 dólares por pessoa. O mesmo acontece na chegada à Baltra, mas o valor é de 50 doletas para os sul-americanos (finalmente uma vantagem) e 100 para os demais.

Chegando em Baltra, a maratona continua: bus gratuito até o porto de Baltra e uma pequena travessia de barco para Santa Cruz, cerca de 10 minutos, que nos custou 1 dólar. Chega-se pelo norte da Ilha, mas a cidade fica ao sul. Pra cruzá-la, existe um ônibus, mas qualquer atraso no voo, faz você perde-lo, principalmente se o seu voo for o último. Claro que foi isso que nos aconteceu! Ah, esqueci de contar que a Rê lindamente comprou a passagem final diferente de mim e fomos em voos separados. O meu chegou na hora, o dela não. Imagina quanta coisa tem pra fazer no aeroporto micro de lá! Nada. Pedi uma “humita” pra já entrar no clima da culinária local, num quiosque do lado de fora (tudo fecha cedo no aero). Gostinho, ainda mais pingando limão. É tipo uma pamonha salgada cozida no vapor e aí eles colocam frango ou peixe, ou nada! Quando a princesa chegou, vimos que não havia mais ônibus, então dividimos um táxi com mais 2 pessoas (US$ 25-30).

Humitas para distrair e passar o tempo!&nbsp;

Humitas para distrair e passar o tempo! 

Em Puerto Ayora, centrinho de Santa Cruz, nos deparamos com uma comunidade bastante movimentada. Tem caixa 24h pra quem precisar, mas o ideal é levar dinheiro. Aí veio um probleminha: tomamos um choque com o valor dos passeios, pois estavam muito acima das pesquisas que fizemos. A moça da agência nos explicou que devido a uma lei recente na ilha que diminuía o número de pessoas por passeio, eles, espertamente, quase dobraram os preços.  Ou seja, se antes eles levavam 20 pessoas, esse número passou pra 10 e eles reajustaram os preços para não tomarem prejuízo. Spoiler: claro que nosso dinheiro acabou! =)

Ficamos num hostel bem simples chamado Vista Al Mar, a 5 minutos do Puerto, um pouco barulhento mas pra uma noite tá ótimo. A gente dorme em qualquer canto,  

São três ilhas principais (Santa Cruz, San Cristóbal e Isabela, habitadas) e programamos de conhecer e dormir nas 3. Existem ainda outras ilhas mas ficaria muito pesado financeiramente pra nós. Há outras  formas de conhecer o arquipélago: ficar em uma das ilhas e fazer passeios diários para as outras ou dormir em cada uma delas, o que implica em pegar barcos de 2 a 2:30h para se deslocar, e foi o que fizemos. Quem não faz questão de dormir nas ilhas pode optar por dormir em barco com estrutura e conhecer as ilhas de acordo com a programação deles. Essa opção tinha um preço bem justo pelo que era ofertado e saía mais em conta do que o que fizemos, no entanto, gostamos de dormir e conhecer a ilha no nosso tempo. O que mais chamou a nossa atenção foi o preço de alimentação nas ilhas, não comemos muito bem e pra quem não come carne a situação fica mais difícil ainda. Quem tá com grana sobrando não tem essa questão!

Enfim, para aproveitarmos o resto do dia de chegada, fomos conhecer a Laguna de las Ninfas, a 10 min a pé de onde estávamos. É uma lagoa meio pântano com um píer onde se pode caminhar por cima. A água extremamente clara já nos dava uma ideia do que iríamos ver nos próximos dias. Um passeio normal para um dia de chegada. À noite, comemos em um local indicado pela mulher do hostel, que nada mais era do que uma feira com umas tendas vendendo comida na rua e comemos estilo um PF que tinha arroz, legumes e batata, que nos custou US$ 6,00.  

This is Las Ninfas!

This is Las Ninfas!

Las Ninfas no fim de tarde!

Las Ninfas no fim de tarde!

Galápagos e suas lições!

Galápagos e suas lições!

No dia seguinte acordamos bem cedo (6am) para aproveitar a manhã na ilha porque às 14h íamos pegar o barco para San Cristóbal, viagenzinha de 2:30 de barco. Nosso passeio do dia foi Las Grietas + Tortuga Bay. Para chegar em Las Grietas deve-se pegar um barquinho para atravessar a ilha (2min – US$ 0,80). Numa trilha (leia-se caminho) de uns 20 minutos, passamos pela Playa de Los Alemanes, totalmente deserta no início da manhã, de água escura, nada de mais. Las Grietas é muito difícil de descrever com palavras. É como se fosse um cânion com água bizarramente azul e com uma visibilidade inacreditável. O sol vai subindo conforme vai amanhecendo e os raios solares refletem no fundo da água, deixando uma paisagem de cair o queixo. Só tinha a gente quando chegamos, mas logo veio um grupo escolar e acabou com o nosso silêncio. Na volta, passamos por Los Alemanes de novo e parecia praia de domingo de sol. Ou seja, esse é um programa para fazer bem cedo! Fizemos a trilha para Tortuga Bay, uns 30 min caminhando, com sol na cuca. Não tem nenhuma infraestrutura no caminho, então é imprescindível levar água e caso queira, algum snack. Sombra Rola um surfzinho e, se você andar até o final dela, há uma piscininha na qual ficamos um tempinho e pudemos nadar junto com as tão famosas iguanas marinhas! Aliás, elas dominam a praia, andando de um lado pro outro, mas são amigáveis desde que você também respeite seu espaço. Na verdade, elas não estão nem aí pra gente! No canto direito da praia, há uma mini caminho para uma baía onde podem ser vistas tartarugas e tubarões bebês. Foi quando nos deparamos com o primeiro tutuba da viagem!

Recepção de primeira!

Recepção de primeira!

Eles estão por toda parte!

Eles estão por toda parte!

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Playa de Los Alemanes antes do crowd!

Playa de Los Alemanes antes do crowd!

Las Grietas, um dos lugares mais incríveis que vimos!

Las Grietas, um dos lugares mais incríveis que vimos!

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Caminho para Tortuga Bay.

Caminho para Tortuga Bay.

Cantinho direito mágico de Tortuga bay!

Cantinho direito mágico de Tortuga bay!

Iguanas, animais predominantes em Santa Cruz. Foi uma das responsáveis pela percepção de Darwin a respeito da Teoria da Evolução, uma vez que em Galápagos é o único local onde as iguanas nadam, pois tiveram que se adaptar para buscar alimentos.

Iguanas, animais predominantes em Santa Cruz. Foi uma das responsáveis pela percepção de Darwin a respeito da Teoria da Evolução, uma vez que em Galápagos é o único local onde as iguanas nadam, pois tiveram que se adaptar para buscar alimentos.

A volta para o porto foi bem cansativa, o sol estava de rachar. Comemos umas empanadas deliciosas com um “batido de guanábano”, nada mais que graviola com leite que me apaixonei e partimos para 2:30h de barco. Toda vez que sai e entra em qualquer uma das ilhas, suas malas são revistadas, para que chequem se você não está levando nenhum recuerdo como conchas e pedras locais, ou alimentos. Por isso, é recomendado chegar 30min antes nos portos para que você não perca sua viagem. Os guardinhas passam um lacre na mochila, então, uma tesourinha na nécessaire vai bem!

San Cristóbal (Puerto Baquerizo Moreno) à vista e já nos apaixonamos! Lá quem manda são os lobos marinhos, os animais mais fofos e mais fedidinhos de Galápagos, afinal, comem peixe e não escovam os dentes. Apesar das ilhas terem uma fauna diversa, sempre tem uma espécie que predomina. Isso é muito perceptível! Iguana em Santa Cruz, lobos marinhos em San Cristóbal e tartarugas em Isabela!

Tínhamos visto que o por do sol da Playa Mann era imperdível e fomos conferir. Assistimos ao por do sol comendo milho que compramos numa barraquinha da praia e tomando uma cerveja feita na ilha, chamada Endemica. Acho que essa é a palavra que mais define Galápagos: significa algo restrito a uma determinada região e certamente o que vimos por lá não existe em lugar nenhum!  Pra finalizar o dia com o espetáculo do sol caindo ao mar, os lobos marinhos nos acompanhavam, se banhando e curtindo também o visual. Eles fingem que não existe ser humano e que de fato são os dominantes por lá. E, ao mesmo tempo, por não ser permitido nenhum tipo de contato com a fauna, impressionantemente, os visitantes se contentam em olhar e fotografar.  Perto do hostel tinha uma lanchonete com uns hamburgers bolados, chamada Cri’s. mas confesso que comemos mal durante essa viagem. Preços altos e nada de incrível a ser oferecido. É uma ilha, né? Tudo chega com dificuldade e de forma custosa. Mas cansa comer mal, a não ser que se esteja disposto a gastar bastante, aí rola.

No dia seguinte, tínhamos agendado o passeio para Leon Dormido. Tomamos café em um dos restaurantes da rua principal, chamado Patagonia: café bem simples, a um preço justo e fomos para a agência. Lá eles forneceram roupa, nadadeiras e snorkel para quem não tinha, já incluso no pacote. A primeira parada foi em uma praia deserta, de água clara e com uma paisagem que contava com montanhas, pedras na areia e um mangue. Ficamos lá por volta de uns 40min, depois seguimos para a atração principal. Leon Dormido é o nome dado a uma formação rochosa de 114 metros de altura de origem vulcânica, que, dependendo do ângulo visto, parece um leão marinho dormindo. Também a chamam de Kicker Rock, pela semelhança com uma pata de lobo marinho. Sinceramente, não consegui identificar nada disso! Nos arrependemos profundamente de não termos feito o mergulho lá. Se de snorkel vimos dezenas de tubarão-martelo, imaginem como não seria em um mergulho! Vimos de tudo por ali. Tartaruga dando chega pra lá num tubarão, lobos marinhos nadando do nosso lado, arraias e peixes de todos os tipos. No passeio tem almoço incluso, comida bem simples, mas que dá pro gasto. Inclusive tem opção vegetariana. Lembramos que não somos frescas e eu como até pedra!

Voltamos por volta de 15h e seguimos para La Loberia, cuja a atração é nadar com os lobos marinhos! Apesar deles serem vistos em todos os locais da ilha, nessa praia é onde há sua maior concentração. Nós não demos sorte! Fomos à tarde e todos os lobos estavam em alto mar. Não vimos os lobos na areia como tem em todas as fotos quando você pesquisa sobre o local. Tentamos a sorte no dia seguinte muito cedo de manhã, mas eles ainda não estavam a fim chegar na praia. Essa é uma boa praia para os surfistas! Rola uma laje e ondas que em dias de swell ultrapassam 8 pés!

Saindo da Loberia no final da tarde, fomos ver o por do sol de Punta Carola, uma praia que fica logo depois da Playa Mann. Mais uma vez, pegamos nosso kit de por do sol: milho, cerveja e canga para assistir ao espetáculo! Jantamos num pizzaria bem gostosa que encontramos no caminho de volta, bem na orla e pagamos algo em torno de 20 dólares. Fomos atendidas por uma brasileira e não pude praticar meu espanhol!

 Na manhã seguinte, passamos na Loberia e depois pegamos um taxi para visitar Laguna el Junco e a praia Puerto Chino, que ficavam na parte alta da ilha.  A Laguna está dentro de uma cratera de um vulcão desativado e toda a sua água provêm da chuva, formando o único lago de água doce da ilha. Lá podemos ver muitas Fragatas de Peito Vermelho! A história dessa ave é muito legal: os machos inflam o papo vermelho, que mais parece um balão de aniversário, para atrair as fêmeas! Nesta parte da ilha o tempo é bem instável e com muita nebulosidade. De lá seguimos para Puerto Chino, praia de areia bem branca e águas cristalinas no lado leste da ilha. O que nos incomodou muito nessa e em outras praias foram as mutucas, umas moscas que picavam assim que saíamos da água salgada. Era irritante. Era MUITO irritante! Em vários takes que fizemos, no final deles a gente treme a câmera e xinga, provavelmente por ter ficado muito tempo paradinha filmando e a mutuca creú!

Voltando, o taxista quase nos obrigou a parar em Galapaguera, um Centro de Criação de Tartarugas Gigantes da espécie Geochelone chatamensis (espécie própria da ilha), famoso na ilha. Vimos algumas tartarugas gigantes, mas nada perto do que iríamos ver em Isabela. Valeu a parada! Chegamos em Santa Cruz no final do dia. Lemos que as travessias entre as ilhas eram bem ruins e com mar batido, não pegamos nenhum mar ruim, no entanto o calor era bem incômodo. Se você conseguir, a boa é ficar no andar de cima das lanchas, mas nem sempre é possível. Só conseguimos esse ventinho no rosto na nossa última lancha. Ah, a ilha de Santa Cruz fica entre as outras duas ilhas grandes, então, tem sempre que voltar pra ela. Não é possível ir de San Cristóbal a Isabela. São mais de 70km de distância entre as ilhas.

Próxima parada: Ilha Bartolomé, o cartão postal de Galápagos! É o passeio mais longo, mais longe e assim, o mais caro (US$ 160). Esse dia começou cedo: o ônibus da agência nos pegou no hotel às 6 da manhã para irmos ao porto onde pegamos o barco, aquele mesmo onde viemos do aeroporto. No barco foi servido café da manhã, gostosinho, o que fez a gente se sentir rica! Durante as duas horas de trajeto, é possível observar outras ilhas vulcânicas como a Daphne, famosa pela sua forma peculiar. Além da água surrealmente clara e ver animais passando no fundo do mar! Chegando em Bartolomé, subimos uma passarela com 300 degraus, que nos levava até a parte mais alta da ilha. As características vulcânicas do local permitem a existência de uma flora limitada como cactos e líquens. A paisagem é de tirar o fôlego, vale cada degrau! Não há vida animal!

Em seguida fomos para a Isla Santiago para mergulhar de snorkel. Mais uma vez, água cristalina e muitos animais ao nosso redor! De volta a Santa Cruz, tentamos visitar o Charles Darwin Research Station, mas já estava fechado. Comemos em uma pizzaria baratinha no caminho de volta – Pizza.EAT na Avenida Charles Darwin, super fofa cheia de barzinhos. E melhor: baratinha! A de cogumelos era deli! Destaque para o charme de ter faltado luz! Nos sentimos comendo à luz de velas, só que não!

Dia seguinte: mergulho, até que enfim! Na noite anterior, entramos em umas 5 agências para decidir com qual faríamos o mergulho e que casasse com a nossa estadia na ilha. Fechamos com a Eagle Ray Tour e o local escolhido foi North Seymour e Mosquera. Não temos do que reclamar! O mergulho foi incrível e a equipe ótima, além de alimentação incluída: mesmo esquema de frutas e almoço caseirinho. No primeiro mergulho, descemos até 16m e, quietinhas no fundo de areia, ficamos rodeadas por tubarões. Sério, eram dezenas deles! Só pensava: tá, legal, mas como a gente vai sair daqui agora? Foi uma mistura de excitação com um leve desespero. O segundo mergulho também tinha uma visibilidade muito boa, mas não se comparou à experiência anterior. Estávamos um pouco nervosas com o horário, já que tínhamos que pegar o barco para Isabela à tarde. Deixamos as coisas na própria agência para não ter que voltarmos no hostel. Foi bem corrido, mas deu tudo certo no final.

A Isla Isabela era a que mais estávamos ansiosas para conhecer, mas ficamos tão apaixonadas por San Cristóbal que no fim das contas Isabela ficou em segundo lugar no nosso ranking. É uma ilha bem mais deserta, com menos opções de restaurantes e bem menos gente circulando. Um ponto bem positivo foi o lugar que nos hospedamos e a hospitalidade do casal dono do hostel, chamado Hostal La Gran Tortuga. Na entrada da ilha pagamos US$ 5, que não estavam previstos! Pensamos: “ok, é pelo bem da vida de Galápagos, fazer o quê.”

Aproveitamos o fim de tarde para conhecer o centrinho da ilha, na praça da igreja e a praia principal. Lá tem uns restaurantes que servem um menu do dia com entrada, prato principal e sobremesa a um preço em conta e que aceitam cartão, (uma raridade) mas cobrando uma taxa adicional. O dia seguinte foi dedicado a um passeio de bicicleta que alugamos ali no centro mesmo, até o Muro de las Lágrimas. Esse caminho foi incrível! Começando pelas praias, já avistamos iguanas que não acabavam mais, algumas eram até meio quebra-molas no caminho! Logo paramos em uma baía que seria nossa última chance de ver os Píqueros de Patas Azules, um pássaro maravilhoso que, como o nome sugere, tem patas azuis! Era o único da fauna famosa que ainda não tínhamos avistado e são muito comuns no passeio para Las Tintoreras, que não fizemos porque não nos pareceu muito atrativo tendo em vista tudo que já tínhamos feito. Tiramos a sorte grande! Tinha um casal de piqueros em uma pedra e pudemos vê-los quase de perto! O azul da pata é realmente bem chamativo e diferente para se ver em uma ave. Seguindo o caminho, avistamos uma tartaruga gigante, soltinha na trilha. Ficamos uma meia hora observando-a se alimentar com manzanillas, umas frutinhas muito vistas na ilha, venenosas para nós, meros humanos. Mais algum tempo de pedalada e estávamos no Muro de Las Lágrimas, que constitui um muro de pedra construído por prisioneiros na colônia penal na ilha, entre 1945 e 1959. É interessante a visita pela história do local! Além de não fazer sentido algum manter os prisioneiros embaixo de um sol surreal construindo um muro pra absolutamente nada. Coisas dos humanos... Na volta paramos em um mirante que nos permitiu apreciar um pouco a grandeza da ilha. O passeio no total demorou umas 4h e seguimos para a praia do porto. Muito bonita, mas já estávamos cansadas de sol e só demos uma andada por ali.

Voltamos para o hostel e no final da tarde fomos visitar a finca (sítio) dos donos da pousada, já que a Rê encheu o cara de perguntas para saber como eram produzidos os alimentos no local. Ele nos levou de carro para a parte alta da ilha que apresentava um clima e paisagem totalmente diferentes. Já sentíamos o cheirinho de chuva, nuvens no céu e uma floresta começava a aparecer. Eles nos contou a história também da última erupção do Cerro Azul, um dos vulcões da ilha. Contou-nos que o filho estava em uma festa e de repente, começaram a cair do céu fuligens e eles não entenderem nada. A temperatura começou a subir muito e quando se deram conta, perceberam que o vulcão estava em atividade!  Saímos da finca de pança cheia de tanta fruta que comemos. Ele disse que todas as frutas que comíamos no café da manhã eram da finca deles, tudo orgânico e natural. Amamos mais sim ou com certeza?

À noite comemos uma pizza muito boa em um dos restaurantes da praça, que não lembramos o nome, mas devem ter 4 opções no total de restauras. Acordamos cedo para aproveitar a manhã em Concha de Perla, um lugar delícia pra fazer snorkel. Água clarinha e calminha, fomos agraciadas com a presença de uma tartaruga e um lobo marinho no nosso último dia de passeio.

Nosso barco estava marcado para a tarde e assim voltamos a Santa Cruz para nos despedirmos. Como tínhamos perdido a entrada no Centro de Charles Darwin, acordamos super cedo e pegamos o centro abrindo no dia seguinte. É legal para conhecer mais sobre a história do arquipélago, sua relação com o historiador, mas nada se compara a termos encontrado as tartarugas gigantes soltas lá em Isabela. Recomendamos essa visita logo no início da viagem, para se contextualizar, como para não correr o risco de não ter tempo depois. Lá no Centro, alguns variações das espécies que vimos, como por exemplo uma iguana albina, muito diferente da tradicional. Na lojinha, tem carimbo pro passaporte! #adoro . Algo que gostei do que li também é a relação do homem com a ilha, como por exemplo, perceberem alguma praga, procurarem soluções e assim criarem outra praga. É o caso das joaninhas!              

Hora de dar tchau! Pegamos um táxi até o porto, de onde pegamos a Balsa para Baltra. Assim que chegamos no outro porto, dezenas de Píqueros de Patas Azules estavam em uma pedra, terminando a nossa viagem em grande estilo!

Galápagos é uma viagem muito diferente de qualquer outra que já tenhamos feito. Apesar de já termos conhecido lugares com natureza exuberante, lá, o contato com a fauna em seu habitat natural é de cair o queixo. Cada um no seu lugar e todo mundo se entendendo. Dá pra entender porque Darwin ficou impressionado. Cada ilha tem características muito particulares, e não, você não enjoa! Nossa queridinha foi San Cristóbal pela junção da beleza, centrinho fofo e com pessoas na medida certa, nem muito badalado como Santa Cruz, nem muito calmo como Isabela. Se tivéssemos que refazer o roteiro, deixaríamos essa ilha por último. Acho que San Cristóbal ofuscou um pouco Isabela!    Também percebemos o descuido dos habitantes em alguns locais das ilhas, como cães e gatos que vivem soltos na ilha e têm colocado em risco a existência de diversos animais da ilha como as iguanas e as tartarugas. O dono do hostel e da finca em Isabela nos falou que até porcos existiam por lá em algumas fazendas (a parte norte de Isabela é bem rural) e claro, sem controle algum.

Vida longa e eterna a um paraíso como esse! Um lugar maravilhoso para adultos, crianças, onde podemos ver a natureza em sua essência, cadeia funcionando lindamente e um local onde o homem ainda (e tomara que nunca o faça) não ocupou por completo! Foi mais do que um sonho estar por lá!

Hospedagens:

Santa Cruz: Hostal Vista al Mar – perto do porto, lanchonetes, ótima localização, quarto simples

Hostel Gardner Galapagos – quarto com mofo, café da manha bom

San Cristobal: Hotel Mar Azul

Isabela: Hostal La Gran Tortuga – ar condicionado, quarto bem bom, localização boa, donos ótimos

Dicas:

-       é bom ver os horários dos barcos para cada ilha para se programar, são apenas dois horários;

-       se você gosta de mergulhar, faça o mergulho em Leon Dormido também;

-       levar dinheiro em espécie e com muitas sobras! Vai que resolvem mudar a lei de 10 passageiros para 5, né?