Noronha por mim! / by Ana Catarina

Desde abril de 2014 que programo essa viagem. Além da vontade de conhecer a ilha (claro!), surgiu uma boa oportunidade de passagem aérea e pensei: por que não?” Com quem eu iria? Com a minha melhor companhia: eu mesmo! A viagem aconteceria onze meses depois da reserva dos tickets e até lá, muuuita coisa iria acontecer! E aconteceu. Seriam 12 dias em um dos destinos mais paradisíacos do mundo, com altas ondas, peixe, tubarão (não, muito obrigada), mergulho etc. Noronha, cheguei e chupando o dedo, por sinal, já que a boa é reservar o assento no lado esquerdo na chegada. Claro que eu sentei no direito...Dia inteiro viajando e por volta de 16:30 cheguei na minha humilde residência na ilha. Casinha da Íris, show de bola, já me senti em casa! Desarrumei as malas e estava indo ao mercadinho do lado de casa comprar uma humilde água, quando vi um cara em um bugre e com a prancha na caçamba. Nosso diálogo:

Eu: Tem onda?

Ele: Tem, tô indo pra Cacimba. Você surfa também?

Eu: Não, sou fotógrafa.

Ele: E você não vai?

Eu: Não, vou amanhã. Acabei de chegar...

Ele:  E por que não vai hoje?

Cri cri... Cinco minutos depois eu estava pronta! 

E minha recepção não poderia ter sido melhor! Esperei o amigo novo na esquina e lá fomos nós pra Cacimba do Padre, assim sem cerimônia alguma. Esse era o Junior, de Balneário Camboriú, frequentemente vinha à Ilha e, além de surfar, estava tirando a certificação para mergulhador. Ele virou minha companhia durante seus últimos dias na ilha, mais quatro no total, assim como o Daniel, de Ubatuba e que morava em Floripa. Bom, chegando na Cacimba ... eita! Um metro e meio de onda pesada, fechadeira. De cara, conheci o Iapa, um dos fotógrafos mais característicos de Noronha e dono da loja local clássica, a Neuronha, sentadinho no alto de uma pedra com uma 600mm fotografando, no melhor estilo Mogli. Me apresentei, disse que o conhecia de nome e perguntei se ele não ia pro mar. “Não, fiquei o dia todo já”, foi a resposta dele... É, eu precisava de apoio moral. Me intimidei. E fiquei sentada no fim de tarde da Cacimba. Me senti zero à vontade pra mergulhar, ainda mais sem nenhum local pra me acompanhar. Sem contar a vaca histórica que eu havia tomado no dia anterior no Leblon e que me rendera uma dor no pescoço, tamanho o tranco da onda.

O Junior é o da esquerda e o Daniel é o da direita.

O Junior é o da esquerda e o Daniel é o da direita.

Foi uma das melhores coisas que fiz! No dia seguinte, fui com o Junior e Daniel pra Cacimba, que agora tinha um metro e o Iapa pra entrar comigo. Outra coisa! Me senti bem, água muito clara, onda menos forte do que aparentava e aquele visual maravilhoso nos entornos. Pra ser mais precisa, caímos na Praia do Bode, ondas tubulares, Pedro Scooby e Patrick Tamberg no mar. Saí de lá beeeeeeeeem feliz!

Daniel, de Ubatuba, um dos surfistas que conheci por lá e Iapa, o fotógrafo local / surfista / dono da marca 'Neuronha' varando a arrebentação.

Daniel, de Ubatuba, um dos surfistas que conheci por lá e Iapa, o fotógrafo local / surfista / dono da marca 'Neuronha' varando a arrebentação.

Daí em diante, só tive dias felizes! Não posso dizer que foram dias de sol, por que choveu bastante. O tempo oscilava entre um sol de rachar e tempestade. Acho que por ser uma ilha e durante o mês de março, Noronha fica muito suscetível a ventos de todas as direções. A Tia Regina, dona de um quiosque comidinha caseira na praia do Porto, disse que “quando o Morro do Pico está coberto, a chuva dura dias e dias”. É...  As ondas estavam rolando e eu já estava me sentindo em casa, claro que "com moderação". Mas uma sexta-feira nos surpreendeu com mar flat. O que fazer em Noronha? Vambora turistar! Fui com os meninos fazer a carteirinha pra entrar no Parque controlado pelo ICM-Bio (custava 85 reais e durava 10 dias) e rumamos à “tal praia mais bonita do mundo”, o Sancho. Vamos conferir que é essa tal de Sancho... Andando pelo deck moderninho, prendi a respiração quando vi a beleza de lá. Paradisíaco. Um mirante te faz sentir de longe os motivos que a fazem ser a primeira da lista. Para se ter acesso à areia, temos que descer a falésia por uma escadinha bem estreita. Me senti protagonista do filme “127 horas”, mas é tranquilo. A água confunde a gente quanto à cor. Até agora não sei se é verde ou azul, então, classifiquei com um verde azulado ou um azul esverdeado. E tem uma laje lá no meio do mar bem legal, com bastante vida marinha. Ficamos facilmente duas horas dentro d’água viajando com snorkel! Arraias, milhões de peixes, tartaruga, linguado (é um dos poucos que consigo identificar), baiacu e uma chuva de sargentinhos.  Na saída do Sancho, há uma estrutura, como todas as praias controladas pelo ICM-Bio com ducha, lanchonete, banheiros. E mais, pra evitar que seja produzido o lixo das garrafinhas pets, você pode comprar um squeeze que te dá direito a duas recargas de água nos parques e nas próximas compras, te dá um desconto. Ao invés de pagar 5 reais por uma água, você passa a pagar três!

Eu, linda e charmosa, nas águas surreais da Praia do Sancho.

Eu, linda e charmosa, nas águas surreais da Praia do Sancho.

Espécie rara de baleia nadando no meio do cardume, próximo à tal laje do Sancho.

Espécie rara de baleia nadando no meio do cardume, próximo à tal laje do Sancho.

Sargentinho, o peixe mais visto em todas as praias da ilha!

Sargentinho, o peixe mais visto em todas as praias da ilha!

Clark Little acha que tartaruga só existe no Hawaii? #choraclarklittle #comgiratória

Clark Little acha que tartaruga só existe no Hawaii? #choraclarklittle #comgiratória

A praia do Sueste também é controlado pelo ICM-Bio e exige a carteirinha para a entrada, assim como o Atalaia. Na praia do Sueste só é possível mergulhar com colete, já que não é permitido que fiquemos em pé nos corais. Lá, pode-se contratar um guia que te leva direto ao ponto das tartarugas e tubarões, as espécies marinhas mais visadas pelos turistas. Te garanto que economizará muito tempo com um guia, que custa em média 50 reais por pessoa. Vale o preço! Fui duas vezes ao Sueste, mas em virtude do vento, aconselho a ir bem cedinho. O único ônibus que circula na ilha tem ponto final na “porta” da praia.

Me hospedei na Vila dos Remédios, num ponto ótimo.  Na ilha, os nativos oferecem muitas opções de hotelaria caseira e geralmente os visitantes se hospedam em alguma casa. Foi meu caso. A roupa de cama da casa da Íris era mais cheirosinha que a lá da minha casa (desculpa mas era, mãe!). Tinha frigobar, sanduicheira, ar condicionado e Sky (claro que não usei). Muito bem localizada, o wi-fi gratuito da cidade até chegava no meu quarto, mas o “Noronha Digital” quase nunca funciona! O valor gira em torno de 180 reais a diária, num quarto que abriga duas ou três pessoas. Já chamava o quarto de residência!

Murinho simpático na esquina da Casa da Íris. Ahhh, se tivesse uma câmera filmando o making of desse selfie...

Murinho simpático na esquina da Casa da Íris. Ahhh, se tivesse uma câmera filmando o making of desse selfie...

Na lista de “to do”, acho que completei a grande maioria. Tive o prazer de mergulhar pela Noronha Divers em dois pontos bem legais: Ilha das Cabras e Cordilheira. Pros que têm medo de tubarão, vale alertar ao Instrutor, porque a probabilidade de você se deparar com um é enorme. Ele só vai te avisar com a mãozinha balançando quando avistar algum. Os tubarões nem ligam pra gente, acredite! Descemos, vimos o tuba e ok, estou viva! Milhões de lagostas, uma tartaruga quase do meu tamanho e a sensação de estar em outro planeta. Amo isso! Dentre as operadoras, ouvi boas opiniões tanto da Noronha Divers, quanto da Atlantis, mas a primeira é composta por nativos que conhecem a ilha como ninguém. E por vezes mantêm em sigilo os pontos de mergulho recém-descobertos.

Momento mágico durante o mergulho feito pela Noronha Divers, num ponto chamado "Cordilheira".

Momento mágico durante o mergulho feito pela Noronha Divers, num ponto chamado "Cordilheira".

Em alguns dias na ilha, aluguei um bugre pelo valor de R$ 150, pechinchando. Não acho que o tal Ilha Tour valha a pena e ainda prefiro essa autonomia e liberdade de conhecer a ilha por mim mesma. O trabalho dos guias é muito bacana e quem quiser escutar as curiosidades e histórias da Ilha, indico que contratem um sim. A gasolina na ilha é cara, em torno de R$ 5,40 o litro, mas como as dimensões de Noronha são curtas, o gasto nem fica tão grande assim. Além isso, pros mais urbanos, vale aproveitar a criminalidade zero do lugar e se despreocupar com seus pertences. Nada acontece e inclusive, por diversas vezes larguei minha câmera e apetrechos fotográficos no bugre.  Para chegar à praias como Conceição e Cacimba, o veículo ajuda bastante. Mas, pros que desejam economizar ao extremo, vale abusar das caronas ou do próprio ônibus. Pra carona, basta utilizar aquele símbolo universal de polegar esticado. Não tem erro! Tanto os locais, quanto os turistas tem bastante compaixão com os que estão a pé!

Andar de bugre por Noronha é sempre com emoção!

Andar de bugre por Noronha é sempre com emoção!

Ali pros lados do Porto, ao final da BR, a segunda menor do país, também existem vários pontos interessantes. O quiosque da tia Regina (aquela que comentou sobre o Pico estar coberto) oferece um peixinho frito, com arroz, salada e batata que dá pra dividir bem. Ela não é muito bem humorada, mas curte os cariocas e no fim, tudo é amor! Também na praia do Porto, vale levar o snorkel e dar uma explorada. Além do navio grego naufragado, há diversas espécies diferentes de peixes, cardumes gigantes, tartarugas e até tubarões nadando bem perto. Por ali também tem o Museu do Tubarão, com algumas informações muito interessantes sobre eles. A entrada é gratuita. Também nos arredores, há o Buraco da Raquel, cuja origem do nome diverge um pouco. Uma das histórias é de que Raquel era uma menina com distúrbios psicológicos e vez em quando fugia para o local para ficar em contato com o oceano e barulho da natureza. Outra versão seria a de que uma filha de um dos militares se refugiava no local para brincar nas piscinas naturais, quando houve a invasão militar na Ilha.

Passatempo 0800 é visitar o naufrágio na Praia do Porto. A embarcação grega é muito grande e faz a gente esquecer das horas.

Passatempo 0800 é visitar o naufrágio na Praia do Porto. A embarcação grega é muito grande e faz a gente esquecer das horas.

Estampa.

Estampa.

Um dos meus refúgios preferidos na ilha foi a Capelinha de São Pedro, muito próximo ao Porto, mais precisamente, virando à direita depois da entrada do cais. Ali, no alto do morrinho, tem uma capela linda, cuja visão das estrelas é algo inesquecível. Uma chuva de estrelas, uma lua maravilhosa e um silêncio incrível. Não deixe de ver o céu de lá! Contornando a capelinha, há uma casa solitária. O dono se chama Pedro e na maré cheia, é possível ver muitos tubarões se alimentando, no local chamado Alagados. Essa dica quem deu foi o frentista do único posto de gasolina da ilha, um posto BR próximo ao porto.

O ceú noronhense merece uma atenção especial! A Capelinha, próxima ao Porto, pra perder as contas do número de estrelas no céu. É verdade que dá verruga no dedo?

O ceú noronhense merece uma atenção especial! A Capelinha, próxima ao Porto, pra perder as contas do número de estrelas no céu. É verdade que dá verruga no dedo?

Das praias, também conheci a do Leão (terceira praia mais bonita do mundo e cujo banho de mar não é recomendado em virtude da forte corrente), Atalaia (um piscina natural formada na maré baixa e que funciona como um berçário dos peixes) e Sueste. É necessário agendar a visita ao Atalaia, pois, como disse, o aquário fica acessível na maré baixa. O agendamento pode ser feito no ICM-Bio, ao lado do Projeto Tamar. A trilha para lá pode ser a curta ou longa. Fiz a curta mesmo, 1,5km tranquilinhos. Já dentro do Atalaia, cada pessoa pode permanecer por 30 minutos dentro da água e o uso do colete é obrigatório. O material pode ser alugado na entrada da trilha, no mesmo lugar em que o guia faz a “chamada”. Ah, no Atalaia a água de coco custa 6 reais, a mais barata da ilha, que em geral sai por oito reais.

No caminho para a praia do Leão, há um forte e um local chamado Ponta das Caracas com uma vista muito bacana. É como se fosse uma ponta de ilha, com muitas pedras vulcânicas, uma imensidão azul de mar e a uma sensação de paz e liberdade maravilhosa. A praia do Leão é uma das praias do Mar de Fora. É que na ilha, há a costa que dá de frente para o continente brasileiro, o chamado Mar de Dentro e o “litoral” que dá de frente para a África, o Mar de Fora. O mar de fora é muito mais batido, mexido e recebe mais vento.

Os passeios de barco são realizados pelo mar de dentro e passam pelas Ilhas secundárias, com direito a “bom dia” dos golfinhos rotadores. Passam também pela praia do Cachorro, do Meio, Conceição, Boldró, Praia do Bode, Cacimba do Padre, Baía dos Porcos e Sancho.  O “pit stop” é no Sancho.  A praia do Boldró tem uma origem bem engraçada no nome, tipo “for all” pro nosso ritmo forró. Os ingleses avistavam o Morro do Pico e o chamavam de Bald Rock, pedra careca, em virtude do formato do morro. Claro, ela virou baldrock e em seguida Boldró, uma palavra só!  Pra quem quer emendar e sentir as emoções do Plana Sub (ou Aqua Sub, como chamam alguns), recomendo o passeio. O barco guia umas pranchinhas e as pessoas seguram, cada uma a sua. O controle das prancha é feito individualmente, com o simples movimento de punho, para cima e para baixo, para imergir ou voltar à superfície.  Muito divertido!

O grupo de golifnhos prepara uma bela recepção de 'bom dia', durante os passeios de barco.

O grupo de golifnhos prepara uma bela recepção de 'bom dia', durante os passeios de barco.

A baía dos Porcos também chama muita a atenção pela visibilidade e cor da água. Na maré seca, formam-se piscinas naturais e é um dos locais mais bonitos da Ilha. Também na Praia do Cachorro, na maré seca, o Buraco do Galego funciona como um ofurô natural.

A chegada na Baía do Porcos é assim! Essa água de lá é roxa de tão azul!

A chegada na Baía do Porcos é assim! Essa água de lá é roxa de tão azul!

"Pig's Bay" tava como? Ofuscando!

"Pig's Bay" tava como? Ofuscando!

Noronha com elas: Marcelinha Witt, Ju Martins, Claudinha Gonçalves, Anna Verônica e Michelle Des Bouillons (brincando de pique-esconde atrás da Marcela)! #catacriativa

Noronha com elas: Marcelinha Witt, Ju Martins, Claudinha Gonçalves, Anna Verônica e Michelle Des Bouillons (brincando de pique-esconde atrás da Marcela)! #catacriativa

Na piscininha natural na Baía dos Porcos a gente fica "tipo rainha"!

Na piscininha natural na Baía dos Porcos a gente fica "tipo rainha"!

A fauna é peculiar e, além das aves chamadas Atobás, ainda existem os Mocós (tipo uma cotia) e Mabuyas, tipo um lagartinho. Todo mundo inofensivo, como tudo nesse paraíso.

Respeite os locais, sempre.

Respeite os locais, sempre.

Voa, liberdade! Atobá feliz da vida com a pança cheia, após a pesca!

Voa, liberdade! Atobá feliz da vida com a pança cheia, após a pesca!

Mocó, dissimulado e sonso, fingindo que não está vendo o Mabuya. 

Mocó, dissimulado e sonso, fingindo que não está vendo o Mabuya. 

Quanto aos que desejam ir a Noronha em busca de boas ondas, vai uma dica que ajuda bastante. A praia da Cacimba, mais procurada pelos surfistas funciona bem com a maré enchendo e por diversas vezes, o surf rendia mais à tarde do que de manhã. Diziam os nativos que “de manhã, o mar não acordava”.  A praia do Bode, uma espécie de “continuação” da Cacimba também funcionava bem, com ondas tubulares. A água clara ajuda muito a se manter no mar e a cadenciar a pressão das ondas. Me senti bastante confortável naqueles mares, mesmo com um certo tamanho. Com a maré secando, boas opções são o Boldró, point break do bom e praia do Meio. 

Cacimba do Padre ainda calminha.

Cacimba do Padre ainda calminha.

Lado direito da Cacimba, em direção à Praia do Bode.O Morro do Pico recebi o nome de Bald Rock, ou seja, Pedra Careca.

Lado direito da Cacimba, em direção à Praia do Bode.O Morro do Pico recebi o nome de Bald Rock, ou seja, Pedra Careca.

Line-up do Boldró, funcionando bonito na maré seca. Fundo de pedra e as ondas quebrando no mesmo lugar. Um luxo!

Line-up do Boldró, funcionando bonito na maré seca. Fundo de pedra e as ondas quebrando no mesmo lugar. Um luxo!

Diante de tanta perfeição da natureza, até esqueci que eu gostava de fotografar surf! Claudinha Gonçalves numa cavada de backside na Praia do Boldró!

Diante de tanta perfeição da natureza, até esqueci que eu gostava de fotografar surf! Claudinha Gonçalves numa cavada de backside na Praia do Boldró!

O Bode tava pumping!

O Bode tava pumping!

Fim de tarde fluorescente na Cacimba, com o Morro Dois Irmãos ao fundo.

Fim de tarde fluorescente na Cacimba, com o Morro Dois Irmãos ao fundo.

Um fim de tarde na Conceição também cai bem, mas as ondas costumam fechar mais do que nos outros picos. Caso precise de um reparo nas pranchas, basta deixar o foguete no Jacaré, próximo ao bar do Cachorro, que ele dá um trato nela!

Sunset na Praia do Conceição, "Ceiça" pros íntimos!

Sunset na Praia do Conceição, "Ceiça" pros íntimos!

Para o pós-praia, pros que estiverem famintos, um açaí do Mundo Verde cairá super bem! O mais pedido é o Açaí Noronha, que vem com cupuaçu. Dos deuses! Além disso, o wi-fi do Açaí e Raízes costuma funcionar e os fotógrafos de surf se reúnem à noite no point para vender as fotos aos surfistas. O açaí com sorvete de tapioca é bem gostoso também.

E não só de programas diurnos é feito Noronha.  Para curtir um fim de tarde,  Bar do Meio oferece Happy Hour até com festival de Temaki. O forte dos Remédios oferece um por do sol lindo, assim como o Forte do Boldró, que até tem musica ao vivo. A casa do Gerson (um nativo longboarder) também tem um clima de fim de tarde gostoso e o acesso é pela praia do Boldró. O Projeto Tamar oferece palestras gratuitas com diversos temas envolvendo a ilha, como tubarões, os golfinhos rotadores, as tartarugas e desova. Vale conferir a programação, que geralmente se inicia às 20h. Às segundas e quintas, os biólogos do Projeto pernoitam na Praia do Leão para acompanhar a desova das tartarugas e essa prática é aberta a quatro pessoas por noite, para ficarem de 20h às 6h da manhã (e não vale sair antes) com o biólogo. O mês de março é um bom mês para a desova das tartarugas. Durante o dia, o Projeto também sai em busca delas e permite ao público ver a captação e fotografar. Acontece na Praia do Sueste.

Vista do Forte do Boldró, com direito a musiquinha ao vivo e tudo!

Vista do Forte do Boldró, com direito a musiquinha ao vivo e tudo!

O Forte Nossa Senhora dos Remédios reserva um momento especial ao fim do dia.

O Forte Nossa Senhora dos Remédios reserva um momento especial ao fim do dia.

De segunda a segunda, os bares da ilha têm programação. Pra começar a semana, segunda-feira é dia de Maracatu e Forró no Bar do Cachorro e a dança local vale a pena. Às terças, o restaurante Ginga oferece um rock! Às quartas, mais forró no Bar do Cachorro, com o visual da praia pra dar aquele climinha nos xotes. Às quintas, a Pizzaria Muzenza oferece um reggae bem roots, geralmente com bandas locais. Às sextas, um dos melhores forrós se repetem no Bar do Cachorro, dessa vez, mais cheio que às segundas.  Sábado é dia de conferir mais reggae no Muzenza e domingo que tal um sambinha?

Para comer, Noronha tem todos os preços a oferecer. Desde o kilinho barato do Ousadia, passando pelo kilo mais gostosinho que era o Flamboyant, gerenciado pelo Naldo e dono da Heineken mais gelada da ilha! O Naldo é um baiano que trabalha no Flamboyant e também na Pizzaria Na Moita. Uma observação para a "Na Moita": de dia é um restaurante vegetariano maravilhoso e uma das poucas, se não a única opção que poupa os animais na ilha. À noite, oferece uma pizza muito gostosa, num clima de penumbrinha que vale experimentar. Se a ideia é gastar bastante e se proporcionar uma orgia gastronômica, a melhor opção é o Festival Gastronômico do Zé Maria, que funciona às quartas e sábados e é necessário reservar. O restaurante Sabor Noronha oferece um ceviche bem gostoso também, mas tem que torcer pro limão não estar em falta na Ilha. Freqüentemente, alguns ingredientes ficam escassos, afinal, são quase quatrocentos quilômetros de distância da costa. Aliás, sempre que achar que algo está caro na ilha, pense no difícil acesso das mercadorias e que para cada kilo transportado via barco, é cobrado um valor de R$ 1,50. Ou seja, pra cada kg de arroz, acrescente R$ 1,50 mais o lucro. Um bujão de gás custa cerca de 100 reais.

O mercadinho na Vila dos Remédios, chamado Breakfast, tem os melhores preços e apresenta umas promoções interessantes, como long neck de Bohemia a R$ 3,00. Uma Heineken em quase toda a ilha custa dez reais.

Mesmo com essa dificuldade, os ilhéus recebem os turistas sempre com um sorriso e estão dispostos a explicar e a contar as curiosidades da ilha. Se o objetivo é o surf, não fique triste se não houver ondas no seu período de estadia. A ilha é um paraíso dentro do nosso país e sempre há maravilhas e perfeições que a natureza nos oferece. Agradeça por cada momento em contato com ela.

Se é chegada a hora de partir, mesmo que contra a sua vontade, não se preocupe. O Restaurante Cheiro Verde oferece transfer, te busca em sua pousada, te leva para fazer o check in no aeroporto e nõa cobra por isso. Claro, basta você almoçar por lá. A comida é uma delícia e há pratos individuais ou para duas pessoas. Uma das melhores opções pra esse momento tão doloroso da partida...

A água de Noronha é tão salgada, que você não precisa fazer nenhum esforço pra se manter na superfície.

A água de Noronha é tão salgada, que você não precisa fazer nenhum esforço pra se manter na superfície.

Tinha alguém feliz?

Tinha alguém feliz?